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ACIESP debateu, em São Carlos, os cenários da inovação

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07/10/2013

O risco, que faz parte dos negócios em geral, torna-se muito maior quando o objetivo é colocar em prática uma ideia totalmente nova. Sem o mapa do caminho já percorrido, as chances de fracasso multiplicam-se. Comparar várias experiências inovadoras pode, entretanto, ajudar a construir um cenário de referências. Esse foi o propósito do Simpósio realizado em 20 de setembro, na Universidade Federal de São Carlos, no interior de São Paulo, com a participação de pesquisadores e dirigentes de instituições de apoio à pesquisa, de destacada atuação em suas áreas. O encontro, organizado pela Academia de Ciências do Estado de São Paulo, mostrou o poder de fogo das universidades paulistas para desenvolver tecnologia.  

Essa capacidade pode estar no campo da proteção aos recursos hídricos. Como evidenciou o presidente do Instituto Internacional de Ecologia, José Galizia Tundisi, também secretário de C&T de São Carlos. O sistema de monitoramento criado por pesquisadores da UFSCar consegue extrair informações sobre barragens e reservatórios de água, e fornecer dados em tempo real sobre alterações físicas e químicas nesses sítios. Oferece uma análise mais acurada que os instrumentos convencionais e permite aos gestores intervir rapidamente quando necessário, daí o interesse que despertou internacionalmente.

A pesquisa com novos materiais, às vezes pouco visível para a sociedade, tem propiciado ganhos expressivos para empresas nos últimos anos, ilustrou Elson Longo, da Unesp de Araraquara. Os projetos que coordenou na área de siderurgia, com a CSN, e o desenvolvimento de novos materiais cerâmicos representam a linha de frente da produção da universidade. No campo dos fármacos, um exemplo de realce está na pesquisa conduzida por José Fernando Perez, presidente da Recepta Biopharma, e ex-diretor científico da Fapesp. A Recepta é a única empresa brasileira que mantém testes clínicos em etapa avançada, com anticorpos monoclonais humanizados, para produzir fármacos destinados ao tratamento de câncer. 

Os casos tratam de projetos bem sucedidos, ou que mostraram avanços expressivos, em um território onde o insucesso é frequente, isto é, a  busca de inovação, nota o presidente da Aciesp, José Eduardo Krieger. O tema estava no foco do Simpósio: “Os desafios da invenção e inovação no Brasil: experiências de sucesso e insucesso no Estado de São Paulo”. 

Uma das dificuldades de quem planeja projetos inovadores, observa, é encontrar métricas capazes de avaliar as chances de insucesso, que sinalizem a conveniência de interromper o trabalho e a perda de investimentos. Ele compara duas situações, uma em que alguém é solicitado a fabricar um avião e, outra, em que o pesquisador é instado a criar um medicamento inexistente. Por mais difícil que seja a tarefa de fazer o avião, ela tem muitos precedentes como parâmetros para sua realização. Já no caso de um produto totalmente novo, o agente nem mesmo pode afirmar com segurança que conseguirá entregá-lo. “Aí se torna mais importante você ter bons algoritmos, boas métricas, que permitam dividir o problema em etapas e saber em que momento você tem que parar de investir para reduzir as perdas”.  

O debate sobre inovação se dá, ao mesmo tempo, nos planos da política e da economia. Se há 20 anos a proposta de criar uma empresa de base tecnológica encontrava enormes obstáculos, hoje esse quadro mudou. “Fica claro que o maior problema não é a nucleação de empresas”, diz Edgar Dutra Zanotto, pesquisador da UFSCar e também organizador do evento. “Já há mecanismos, principalmente da FAPESP (no caso de São Paulo) e da FINEP, para isso. Você consegue um milhão, dois milhões de reais. Difícil é o processo de crescimento e vencer certas barreiras”. Elas podem estar nos marcos regulatórios estabelecidos pelo governo, como é o caso das empresas que trabalham com biomateriais e precisam se adequar aos requisitos da Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Essa barreira pode significar dois ou três anos sem faturar, acrescenta, aguardando a liberação do certificado de boas práticas de fabricação, e o registro de cada produto. Há inúmeras outras: como desenvolver mercado, estabelecer parcerias comerciais ou competir com produtos importados. “Então, é necessário contar com a entrada do investidor. Mas os fundos de investimento nacionais só financiam empresas que tenham um potencial muito claro de sucesso.”

Reunidos os fatores favoráveis, entretanto, a criatividade e o empreendedorismo acontecerão, como prova a cidade escolhida para abrigar o evento. Pioneira na implantação de incubadora tecnológica, em 1984, São Carlos, hoje com cerca de 220 mil habitantes, conseguiu somar esses ingredientes. Dois campi de instituições de renome, USP e Universidade Federal de São Carlos, um instituto federal de educação e unidades da Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. A cidade conta atualmente com cerca de 250 empresas de base tecnológica, segundo estimativa do pesquisador da UFSCar, Roberto Ferrari Júnior, do Departamento de Computação, que reúne dados sobre o assunto. São em geral empresas pequenas, de 20 a 60 funcionários cuja atividade central é criar e vender tecnologia. Há uma forte presença de empreendimentos da área de tecnologia da informação, ao lado de novos materiais, química, ótica, biotecnologia e equipamentos médicos. 

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